Seguros – Pagamento de Sinistro, Fraude e Golpes

Normalmente, escutamos comentários de que as seguradoras ganham muito dinheiro e cobram caro pelo serviço. Comentários maiores são de que na hora de pagar por um sinistro, elas (as seguradoras) ficam extremamente burocráticas, cobram uma série de documentos e faz de tudo para não pagar o valor devido. Resumindo: "vendem dificuldades".

"Não é bem assim. As seguradoras têm, sim, que certificar-se e comprovar a ocorrência do sinistro. Por isso elas analisam, investigam a ocorrência e pedem documentos os mais diversos. Isso serve para que elas possam evitar que ocorram fraudes. E as fraudes não são poucas", afirma, categórico, Dirceu Cadena, da Cadena Corretora de Seguros, que funciona no bairro da Boa Viagem, no Recife (PE).

A verdade é que as seguradoras são vítimas de oportunistas e golpistas profissionais. Segundo dados da própria Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNSeg), entre 10% e 30% dos valores pagos em seguros são gerados por fraudes.

Justamente na tentativa de identificar os casos fraudulentos, a CNSeg passou a classificar os tipos de ocorrências. Segundo a  entidade, existem duas categorias diferentes: o fraudador profissional e o oportunista.

O primeiro é aquele que já contrata o seguro planejando praticar uma fraude, como uma pessoa que faz um seguro contra incêndio e põe fogo no imóvel, por exemplo. O segundo é aquele que 'aproveita' a ocorrência de um sinistro para beneficiar-se, fazendo outros serviços que não estariam inclusos como, por exemplo, pedir a pintura do carro inteiro, quando na verdade somente o para-choque ou apenas uma porta foi danificada.

"O profissional nunca se apresenta no seu próprio nome. Comumente,ele usa o nome de um 'laranja' para dar o golpe no seguro. É um criminoso que está sempre desenvolvendo métodos para burlar a fiscalização. Já o fraudador de oportunidade infla o sinistro para receber mais do que deveria", explica o superintendente geral da Central de Serviços da CNSeg, Júlio Avellar.

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IMPACTOS

Apesar dos prejuízos serem menores do que os causados pelo golpista profissional, os casos de superfaturamento ocorrem em maior quantidade e causam um impacto significativo no valor final do seguro. Essas práticas têm levado as seguradoras a procurar administrar melhor a sua carteira. "A preocupação é pertinente porque as empresas não querem que o preço cobrado pelo serviço (Seguro) chegue a um nível que leve as pessoas a se desinteressarem e não queiram mais pagar por ele",diz Cadena.

"O índice de fraudes é altíssimo. Mas no final quem paga mesmo é o próprio segurado. O seguro é um instumento que recolhe o valor de várias pessoas e paga a algumas. A atividade esta ligada à boa fé. Sem a honestidade, a atividade sucumbe", diz Avellar.

De acordo com o presidente do Sindicato das Seguradoras de Pernambuco, Múcio Novaes, não adianta criar muita burocracia para combater as fraudes. "O golpista profissional tem muita inteligência. Se o valor do seguro ficar muito alto, será incompatível com o patrimônio e não valerá muito à pena. Aumentar a burocracia é outro aspecto que pode fazer os clientes desistirem do seguro", relata.

GOLPES

Os dados da CNSeg apontam que a inversão de culpabilidade em acidentes de trânsito, o uso da carteira médica de outra pessoa e os falsos atropelamentos para receber o seguro obrigatório do DPVAT são alguns dos golpes mais frequentes sofridos pelas seguradoras.

"Por isso que as seguradoras são minuciosas na análise e investigação. É uma questão apenas de segurança", justifica Cadena.  "Os procedimentos para investigação são caros e trabalhosos. A sociedade tem que se conscientizar de que essas práticas são criminosas e que é preciso ajudar os órgãos a investigar as fraudes através de denúncias", conclui Júlio Avellar.

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Por: Alexandre de Souza Acioli

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